Ortopedista Djalma Amorim Jr. alerta que o início ou retorno ao futebol, à corrida e à academia deve ser gradual e explica quando o desconforto indica problemas que exigem avaliação médica
Com o fim da Copa do Mundo, é comum que muitos brasileiros aproveitem a inspiração deixada pelos atletas para iniciar ou retomar a prática de atividades físicas. Os tradicionais “rachões” com os amigos, a volta à academia ou o início de uma rotina de corrida costumam ganhar força logo após grandes competições esportivas. No entanto, a motivação deve ser associada a alguns cuidados para evitar dores e lesões, principalmente, na coluna.
Embora algum desconforto muscular seja esperado nos primeiros dias de atividade, principalmente para quem passou muito tempo sedentário, dores intensas, persistentes ou acompanhadas de outros sintomas podem indicar problemas na coluna que permaneciam silenciosos e só se manifestaram após o aumento da demanda física.

Segundo o ortopedista especialista em coluna Djalma Amorim Jr., membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), é importante saber diferenciar a dor muscular causada pela adaptação do organismo daquela que pode estar relacionada a uma lesão ou doença da coluna.
“É esperado sentir dor muscular um ou dois dias após um treino mais intenso ou depois de voltar a praticar exercícios. Esse desconforto costuma ser difuso, melhora gradativamente e desaparece em poucos dias. Já a dor provocada por alterações na coluna geralmente é mais localizada, pode irradiar para braços ou pernas e tende a persistir ou até piorar com determinados movimentos”
djalma amorim Jr.
Entre as doenças que costumam ser descobertas após o retorno às atividades físicas estão a hérnia de disco, a espondilolistese, a estenose do canal vertebral, as fraturas por estresse e a espondilólise, condição mais frequente em praticantes de esportes que envolvem impacto, saltos ou movimentos repetitivos de extensão da coluna.
“Muitas dessas alterações já existiam, mas não provocavam sintomas porque a pessoa levava uma rotina com pouca exigência física. Quando ela aumenta a intensidade dos exercícios sem uma adaptação adequada, essas doenças podem finalmente se manifestar”, afirma o especialista.
Além da persistência da dor, alguns sinais merecem atenção especial. Formigamento, dormência, perda de força nos membros, dificuldade para caminhar ou dor que impede a continuidade das atividades físicas são sintomas que exigem avaliação médica.

“Quando a dor limita os movimentos, impede o desempenho durante o exercício ou vem acompanhada de alterações neurológicas, como perda de sensibilidade ou força, é importante interromper a atividade e procurar um especialista. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar o problema sem necessidade de procedimentos mais complexos”, orienta.
Para quem deseja manter o hábito de praticar exercícios após a Copa, o ortopedista recomenda que o retorno seja gradual, respeitando os limites do próprio corpo.
O aquecimento antes da atividade, o fortalecimento da musculatura do tronco, a progressão da carga de treino e o acompanhamento de um profissional de educação física ajudam a reduzir o risco de lesões.
“A atividade física é uma das maiores aliadas da saúde da coluna, desde que seja realizada de forma segura. O erro está em querer compensar semanas ou meses de sedentarismo em poucos dias. Evoluir aos poucos, respeitar o tempo de adaptação do corpo e não ignorar sinais persistentes de dor são atitudes fundamentais para prevenir lesões e manter uma prática esportiva saudável”
djalma amorim JR.
Crédito da imagem: Magnific
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